A Palavra de Deus, neste último domingo do ano litúrgico, convida-nos a tomar consciência da realeza de Jesus. Deixa claro, no entanto, que essa realeza não pode ser entendida à maneira dos reis deste mundo: É UMA REALEZA QUE SE EXERCE NO AMOR, NO SERVIÇO, NO PERDÃO, NO DOM DA VIDA.
A primeira leitura (2Sm 5,1-3) apresenta-nos o momento em que Davi se tornou rei de todo o Israel. Com ele, iniciou-se um tempo de felicidade, de abundância, de paz, que ficou na memória de todo o Povo de Deus. Nos séculos seguintes, o Povo sonhava com o regresso a essa era de felicidade e com a restauração do reino de Davi; e os profetas prometeram a chegada de um descendente de Davi que iria realizar esse sonho.
O Evangelho (Lc 23,35-43) apresenta-nos a realização dessa promessa: JESUS É O MESSIAS (REI) enviado por Deus, que veio tornar realidade o velho sonho do Povo de Deus e apresentar aos homens o “Reino”; no entanto, o “Reino” que Jesus propôs não é um Reino construído sobre a força, a violência, a imposição, mas sobre o amor, o perdão, o dom da vida.
A segunda leitura (Cl 1,12-20) apresenta um hino que celebra a realeza e a soberania de Cristo sobre toda a criação; além disso, põe em relevo o seu papel fundamental como fonte de vida para o homem.
Leituras
O que é que a história de Davi tem a ver com a Festa de Jesus Cristo, Rei do Universo?
Jesus Cristo, o Messias, Rei de Israel, descendente de Davi, é considerado no
Novo Testamento a resposta de Jahwéh aos sonhos e expectativas do Povo de Deus.
Ele veio para restaurar, ao jeito de Deus e na lógica de Deus, o reino de Davi.
Jesus é, portanto, o Rei que, à imagem do que Davi fez com Israel, apascenta o novo
Povo de Deus (veremos, mais à frente, como deve ser entendida a realeza de Jesus).
Que significa, para mim, dizer que Jesus é Rei? Naqueles dias,
“Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne.
E o Senhor te disse:
O rei Davi fez com eles uma aliança em Hebron,
na presença do Senhor, e eles o ungiram rei de Israel.
Palavra do Senhor.
Que alegria, quando ouvi que me disseram:
“Vamos à casa do Senhor!”.
R. Quanta alegria e felicidade: vamos à casa do Senhor!
1Que alegria, quando ouvi que me disseram:*
“Vamos à casa do Senhor!”
2 E agora nossos pés já se detêm,*
Jerusalém, em tuas portas. R.
4Para lá sobem as tribos de Israel,*
as tribos do Senhor.
Para louvar, segundo a lei de Israel,
o nome do Senhor.*
5 A sede da justiça lá está e o trono de Davi. R.
A festa de Cristo Rei, que encerra o ano litúrgico, celebra a soberania e o poder de Cristo sobre toda a criação. A leitura que acabámos de ler diz, a este propósito, que em Cristo, Deus revela-Se; que Ele tem a supremacia e autoridade sobre todos os seres criados; que Ele é o centro de todo o universo e que tudo tende e converge para Ele… Isto equivale a definir CRISTO COMO O CENTRO DA VIDA E DA HISTÓRIA,
a coordenada fundamental à volta da qual tudo se constrói.
que é a herança dos santos.
as visíveis e as invisíveis,
tronos e dominações, soberanias e poderes.
Tudo foi criado por meio dele e para ele.
o Primogênito dentre os mortos;
de sorte que em tudo ele tem a primazia,
realizando a paz pelo sangue da sua cruz.
Palavra do Senhor.
Celebrar a Festa de Cristo Rei do Universo NÃO é celebrar um Deus forte, dominador que Se impõe aos homens do alto da sua omnipotência e que os assusta com gestos espetaculares; mas é celebrar um Deus que serve, acolhe e que reina nos corações com a força desarmada do amor. A cruz – ponto de chegada de uma vida gasta construindo o Reino de Deus – é o trono de um Deus que recusa qualquer poder e escolhe reinar no coração dos homens através do amor e do dom da vida.
se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido!”
salva-te a ti mesmo!”
tu que sofres a mesma condenação?
mas ele não fez nada de mal”.
quando entrares no teu reinado.”
ainda hoje estarás comigo no Paraíso”.
Palavra da Salvação.
Reflexão
JESUS REI? VOCÊ ESTÁ SEGURO?
A leitura do Evangelho que a Igreja nos propõe para este dia nos deixa confusos. É o último domingo do ano e a liturgia dedica-o a Cristo Rei. A Igreja quer que lhe vejamos em triunfo, como aquele em quem chega a plenitude em todas as coisas. Com ele, o Reino de Deus deixará de ser um sonho para começar a ser realidade plena. Como é possível que o Evangelho nos apresente Jesus na cruz? Os condenados a morte não triunfaram nunca ao longo da história. Quando muito conseguiram que alguns nostálgicos derramassem algumas lágrimas por eles. Mas nada mais. Os governantes de qualquer país sabem que o melhor que pode ser feito com a oposição é a eliminar.
Porém o caso de Jesus é diferente. Dá a impressão de que seu reinado não é exatamente igual aos dos governos e reinos deste mundo. Jesus é um homem que, a ponto de morrer na cruz, ainda desperta paixões opostas. Uns riem dele e outros afirmam sua inocência. Mais ainda. No momento da cruz o mesmo Jesus é capaz de prometer o paraíso ao homem que está crucificado a seu lado.
É que seu reino não é deste mundo. Seu reino é o reinado de Deus que junta e recolhe a todos seus filhos e filhas dispersos para convertê-los em uma família. No reino de Deus não somos súditos. Também não somos cidadãos. SOMOS FILHOS. Absolutamente diferente.
Desde essa perspectiva entendemos melhor a plenitude a que se refere a carta aos Colossenses. Quando aí se afirmar a superioridade de Jesus sobre todas as coisas e sobre todas as pessoas, quando nos diz que nele o Reino de Deus vai chegar à sua plenitude, não significa que em seu tempo esse reino vá ser próspero economicamente. Também não significa que farão grandiosas obras e monumentos como costumam fazer nossos governantes para perpetuar sua memória. Nem sequer terá o maior e mais poderosos exércitos do mundo. Nenhuma dessas coisas. Em um reino onde todos somos irmãos e Deus, o centro e origem de tudo, é nosso pai, a plenitude se verá ao se realizar para valer a fraternidade, a solidariedade e a justiça entre todos e todas. A plenitude chegará porque, como em uma boa família, todos porão a confiança no pai de quem procedemos e em quem encontramos o amor que nos faz falta para viver e chegar à nossa própria plenitude. E tudo isso sem fronteiras, sem divisões por razão de raça, cultura, religião ou nacionalidade, porque toda a humanidade, junto de toda a criação será chamada a participar dessa plenitude. JESUS É O REI DESSE REINO. Precisamente por isso morreu na CRUZ. Precisamente por isso, Deus, o Pai que ama a vida, o ressuscitou e hoje mantemos viva a esperança do Reino.
Texto: FERNANDO TORRES, CMF
Fonte: MISSIONÁRIOS CLARETIANOS (CIUDAD REDONDA)