UM CHAMADO À RECONCILIAÇÃO E À ALEGRIA

DESTAQUE

O IV Domingo da Quaresma, conhecido como Domingo “Laetare” (do latim “Alegrai-vos”), marca um momento especial no caminho quaresmal.

A meio da jornada rumo à Páscoa, a Igreja nos convida a uma pausa para refletir sobre a alegria da misericórdia divina e a promessa da renovação, em Cristo.

No ciclo litúrgico do Ano C, as leituras deste domingo destacam a bondade de Deus, que acolhe os pecadores e os reconcilia consigo. É um convite para reconhecer nossas falhas, voltar ao coração do Pai da misericórdia e viver como filhos redimidos.

A Primeira Leitura (Josué 5,9a.10-12) nos transporta ao momento em que o povo de Israel, após anos de peregrinação no deserto, entra na Terra Prometida. Deus declara a Josué que “removeu o opróbrio do Egito” do povo eleito, simbolizando o fim da escravidão e o início de uma nova vida. A celebração da Páscoa em Guilgal, com os frutos da terra, marca essa passagem de uma existência de privação para a abundância da promessa cumprida.

Para nós, essa leitura é um lembrete de que a Quaresma é um tempo de libertação: Deus deseja nos tirar das “escravidões” do pecado e nos conduzir a uma vida plena em sua presença.

São Paulo, em sua Carta aos Coríntios (2 Coríntios 5,17-21), proclama uma das mensagens mais poderosas do cristianismo: “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura”. Ele nos fala da reconciliação que Deus oferece por meio de Jesus, que tomou sobre si nossos pecados para que fôssemos justificados. Paulo nos chama a sermos “embaixadores” dessa reconciliação, levando ao mundo a Boa Nova do amor de Deus.

Neste IV Domingo da Quaresma, somos desafiados a refletir: temos vivido como novas criaturas? Estamos sendo testemunhas da misericórdia que recebemos? Sabemos ser misericordiosos com os demais?

O Evangelho deste Domingo (Lucas 15,1-3.11-32) apresenta a parábola do Filho Pródigo, uma das mais belas histórias de conversão e perdão na Bíblia. Jesus narra a trajetória de um jovem que, após desperdiçar sua herança e cair em desgraça, retorna arrependido ao pai, que o acolhe com os braços abertos. A figura do irmão mais velho, que se ressente da festa pelo retorno do pródigo, nos alerta contra a tentação da autossuficiência e do julgamento. Esta parábola reflete o coração da Quaresma: Deus é o Pai que sempre espera nosso retorno, pronto para nos abraçar, independentemente de nossas falhas. A alegria deste “Laetare” no meio da Quaresma está justamente nesse amor incondicional. 

Indicações Práticas para a 4ª Semana da Quaresma.

À luz das leituras da Liturgia de hoje, a IV semana da Quaresma nos convida a viver a reconciliação e a alegria de modo concreto.

PRIMEIRO, é preciso examinar nossa consciência: há algo em minha vida que me afasta de Deus ou dos outros?

SEGUNDO, é preciso praticar a gratidão. Não ser como o irmão mais velho da parábola: egoísta e interesseiro: assim como Israel celebrou a Páscoa pela primeira vez na Terra Prometida, somos nós chamados a agradecer a Deus pelas bênçãos recebidas, mesmo em meio às dificuldades.

TERCEIRO, somos convidados a assumir a missão de sermos “embaixadores da reconciliação”: perdoando alguém que nos magoou ou pedindo perdão a quem tivermos feridos.

Por fim, viver a alegria do “Laetare” com pequenos gestos de amor, de esperança, preparando-nos especialmente pelo sacramento da Reconciliação, para a Páscoa com um coração renovado.

Instruídos pela Campanha da Fraternidade deste ano, saibamos também ser agradecidos a Deus pela beleza da natureza, cuidando, no que for possível, deste grande dom que Deus nos confiou.

Que esta semana seja um tempo de graça, em que possamos experimentar a misericórdia divina e partilhá-la com o mundo!

Texto: Dom Antonio Carlos Rossi Keller
Fonte: CNBB